Lado C Tudo na vida tem seu Lado A e seu Lado B, mas a resposta talvez esteja no Lado C, 'sacovisk'?

O QUE É SIGNIFICA CONSUMIR?

agosto 20, 2010 By: Ferzamp Category: Comportamento Humano, Consumo

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A compra é apenas uma etapa do consumo.

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O ATO DE CONSUMIR É NA GRANDE MAIORIA DAS VEZES, UM ATO AUTOMÁTICO,  MECÂNICO,  IMPENSADO.  Refém da pressa do dia-a-dia ou do simples impulso emocional. É comum associarmos consumo à compras, o que está correto, mas incompleto.

O consumo possui seis etapas. O ato de comprar é apenas uma etapa do consumo. Antes de qualquer coisa, temos que decidir o que consumir, por que consumir, como consumir e de quem consumir. Posteriormente, e o que raramente fazemos, é pensar o que fazer com os objetos que adquirimos – a etapa do descarte.

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Estamos sempre consumindo: do acordar ao se alimentar; do trabalhar ao se divertir.


O consumo está presente praticamente o tempo todo em nossas vidas.
Ao acordar, consumimos água, eletricidade, produtos de higiene pessoal. Depois,  no café-da-manhã, consumimos café, pão, manteiga, água, eletricidade, etc. Se ficamos em casa, usamos mais água para limpar a casa, lavar a louça, almoçarmos. Se trabalhamos fora,  consumimos combustível, mesmo que seja do ônibus, ou no caso do metrô, energia elétrica. No local de trabalho, bebemos água ou café, nos famosos copinhos de plástico. Sem contar mais papel, mais energia elétrica etc. Portanto, estamos sempre consumindo, mesmo sem estarmos ‘comprando’ neste dia.

Por isso é importante entender o tamanho do impacto que nós humanos geramos‘primeiro em nós mesmos, já que temos que arcar com as despesas do consumo e também nos beneficiamos do bem estar derivado dele. Depois, o impacto na economia, porque ao adquirirmos algo, movimentamos a máquina de produção e distribuição, ativando a economia. (Akatu)

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O ato de consumir também afeta o grupo, a sociedade, pois dentro dela ocorrem a produção, as trocas e as transformações provocadas pelo consumo. E por fim, o impacto sobre a natureza, que nos fornece as matérias-primas para a produção de tudo o que consumimos. [Não é interessante pensar que o fim (recursos naturais) é  na verdade o começo (matéria-prima) do consumo?]

Numa reflexão realista, o fato é que o consumo faz parte da vida. É um instrumentos de bem-estar, e também de necessidade. Como escovar os dentes sem comprar pasta de dentes? Como nos alimentarmos  se não produzimos mais nosso próprio alimento?

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Precisamos na verdade, ‘aprender a produzir e consumir os bens e serviços de uma maneira diferente da atual, visto que o modelo hoje utilizado de produção e consumo contribuiu para aprofundar alguns aspectos da desigualdade social e do desequilíbrio ambiental.’ (Akatu)

Outro aspecto importante, ou até condição sine qua non, é refletirmos sobre nosso ‘estilo de vida’. O modo como escolhemos viver reflete na quantidade coisas que ‘imaginamos’ precisar, e no tipo de imagem queremos projetar.

Tomarmos consciência sobre nós mesmos; como queremos viver, como queremos nos apresentar para os outros, como queremos morar, como queremos nos alimentar, como queremos deixar nossa rua, cidade limpa etc, reflete diretamente em como impactamos o meio extreno, o mundo, a natureza, a cidade. Reserve um tempo para pensar nisso!…

[Fonte: Instituto Akatu]

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O QUE SIGNIFICA CONSUMO CONSCIENTE?

agosto 10, 2010 By: Ferzamp Category: Comportamento Humano, Consumo, Eco-atitudes, Eco-economia

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Consumo Consciente

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“(…) como você pode usar suas escolhas de consumo para ajudar a construir um mundo social e ambientalmente melhor. O caminho passa pela adoção do consumo consciente. E o que é consumo consciente? É consumir levando em consideração os impactos provocados pelo consumo. Explicando melhor: o consumidor pode, por meio de suas escolhas, buscar maximizar os impactos positivos e minimizar os negativos dos seus atos de consumo, e desta forma contribuir com seu poder de consumo para construir um mundo melhor. Isso é Consumo Consciente. Em poucas palavras, é um consumo com consciência de seu impacto e voltado à sustentabilidade.

O consumidor consciente busca o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal e a  sustentabilidade do planeta, lembrando que a sustentabilidade implica em um modelo ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável. O consumidor consciente reflete a respeito de seus atos de consumo e como eles irão repercutir não só sobre si mesmo, mas também sobre as relações sociais, a economia e a natureza. O consumidor consciente também busca disseminar o conceito e a prática do consumo consciente, fazendo com que pequenos gestos de consumo realizados por um número muito grande de pessoas promovam grandes transformações.

O consumo consciente pode ser praticado no dia-a-dia, por meio de gestos simples que levem em conta os impactos da compra, uso ou descarte de produtos ou serviços. Tais gestos incluem o uso e descarte de recursos naturais como a água, a compra, uso e descarte dos diversos produtos ou serviços, e a escolha das empresas das quais comprar, em função de sua responsabilidade  sócio-ambiental. Assim, o consumo consciente é uma contribuição voluntária, cotidiana e solidária para garantir a sustentabilidade da vida no planeta.

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Praticar o consumo consciente consiste numa atitude de liberdade de escolha e de protagonismo da própria existência. É uma tomada de posição clara, democrática e ética. O consumo consciente fatalmente irá gerar uma reflexão e tal reflexão pelos consumidores deverá gerar uma cadeia de estímulos que irá contagiar positivamente as empresas e seus funcionários, sua família, colegas e amigos que, diante do exemplo, serão impelidos a refletir sobre os seus próprios atos de consumo.

Para ficar mais claro, vamos dar um exemplo simples. Você já deve ter ouvido falar que a água é um recurso natural escasso e que cerca de 30% da população mundial não tem acesso à água tratada de boa qualidade. Portanto, mesmo que você consiga arcar com sua conta de água, e portanto possa, em princípio, gastar o montante de água que lhe aprouver, tal fato trará como impacto a não disponibilidade de água, um recurso precioso e muito escasso, para um grande número de pessoas. Além disso, antes da água chegar à sua torneira, ela é tratada. Esse tratamento custa dinheiro. Se você economizar, o volume de água tratada será menor e os custos serão mais baixos. Caso contrário, para aumentar o abastecimento, a prefeitura terá de investir em novas estações de tratamento, que exigirão investimentos e usarão o dinheiro que poderia ser aplicado em outras áreas, tais como saúde, educação ou transporte. Um outro ponto a considerar é que, se a água for usada em quantidade maior do que a realmente necessária,  talvez as fontes usadas já não consigam atender a demanda. Se isso acontecer, as autoridades terão de buscar água mais longe, o que provavelmente vai encarecer o custo da água e vai dificultar o acesso a ela pelas populações de mais baixa renda.

A falta de água de boa qualidade provoca diversos males. Entre 1995 e 2000, só no Brasil, ocorrerram 700 mil internações hospitalares por doenças relacionadas à falta de água e saneamento básico. Portanto, quando você fecha a torneira ao escovar os dentes, ao se ensaboar no banho e ao lavar a louça, você está praticando um ato de consumo consciente, um ato que terá um impacto positivo sobre a sociedade porque ajudará a preservar água para os outros; terá um impacto positivo para a economia porque adiará a necessidade de novos investimentos no setor; terá um impacto positivo sobre a natureza porque não estará pressionando as nascentes; e terá um impacto positivo para você, que vai economizar na conta de água.”

[Fonte: Instituto Akatu]

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REFLEXÃO SOBRE A VIDA.

julho 12, 2010 By: Ferzamp Category: Ciências Humanas

Parte 1 – O que é a vida? Vida artificial.

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A HISTÓRIA DO CORPO HUMANO.

julho 01, 2010 By: Ferzamp Category: Ciências Humanas, Comportamento Humano, Curiosidades, Geral

Homem Vitruviano (Leonardo da Vinci, 1490).

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A história do corpo humano é a história da civilização. A partir dessa analogia, a economista Maria Cecília Donaldson Ugarte estudou as transformações impostas ao corpo humano para adaptá-lo aos meios de produção, desde a Revolução Industrial até a Revolução da Informação dos dias de hoje, quando o homem aparece desenraizado da carne e dos ossos, em ambiente virtual. Tendo trabalhado por 11 anos como executiva na iniciativa privada, Maria Cecília voltou à vida acadêmica para perscrutar por dois anos e meio os caminhos do corpo, vivenciando experiências com psicodrama, criatividade corpórea e saúde mental no trabalho. Sua pesquisa resultou em dissertação de mestrado apresentada na Faculdade de Educação Física (FEF) da Unicamp, sob orientação da professora Maria Beatriz Rocha Ferreira.

“Sempre estudamos a Revolução Industrial como um grande feito, sem considerar que houve uma exploração maciça e cruel da população. Foi a mais radical transformação da vida humana já registrada em documentos escritos, segundo Eric Hobsbawn, que deveria ser mais lido para fundamentação histórica”, afirma Maria Cecília Ugarte, referindo-se ao historiador cujos conceitos sustentam boa parte da dissertação.

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Homo laborens: o homem conectado com os outros, as coisas e a natureza.

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Ela lembra que antes da revolução, durante séculos, os corpos trabalharam integrados com suas ferramentas, como os teares, num urdir e tecer em ritmo natural, onde estavam presentes as sensações corporais, a imaginação e as emoções. “Podia-se parar, conversar, rir e recomeçar. Era o homo laborens, que estava em inter-relação com as pessoas, os objetos e a natureza”, observa.

Segundo a pesquisadora, o capitalismo na Inglaterra começou no lar, já por volta de 1750, com o trabalho de pai, mãe e filhos em favor de um empreendedor que fornecia a matéria-prima. Todas as casas tornaram-se fábricas em miniatura e foi justamente com este artesanato doméstico que se iniciou a transformação dos processos produtivos.

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Fotografia sem nome, de Cindy Sherman.

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“Aos poucos, o homo laborens foi dando lugar ao homo faber – termos criados por Hannah Arent. Quando a revolução chegou 30 anos depois, e se acelerou o processo de industrialização, as famílias foram retiradas de seu território e levadas para trabalhar nas fábricas, morando em cantos fétidos que marcaram o surgimento do meio urbano. A jornada de trabalho chegava a 14 horas. “Desterritorializada, a pessoa, antes vista por inteiro – mente, corpo e espírito –, perde o seu centro e fica nas mãos manipuladoras do poder. Foi um estrago impressionante”, diz Maria Cecília.

No entanto, a nova classe operária relutou em aceitar os relógios, o trabalho imposto não mais pela natureza, mas sim pelo ritmo das máquinas e da produtividade. “A formação do que Norbert Elias chamou de um novo habitus social levaria gerações. Portanto, a resistência foi grande, gerando bloqueios e conflitos”, observa a economista. Com a difusão dos motores a vapor e de novos métodos de produção, as cidades inflaram com o êxodo do campo e surgiu também o desemprego. A ciência avançava junto com a industrialização, mas crescia a população carente, subnutrida e com altos índices de mortalidade.

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Século da fadiga – O historiador Anson Rabinbach caracteriza o século 19 como o século da fadiga e da neurastenia. Em The Human Motor, ele descreve o processo de construção do corpo e sua relação com o trabalho, dentro da visão da energética e do materialismo que permeavam a época. O homo-motor, para o autor, é uma metáfora da força de trabalho, ou seja, de que o corpo humano seria um reservatório como o das máquinas, capaz de converter energia em trabalho mecânico. Corpo, máquinas e natureza eram movimentos passíveis de ser medidos dentro das leis da dinâmica – e conseqüentemente dominados, submetidos a sistemas organizacionais cientificamente desenhados.

“Rabinbach considera que a modernidade industrial européia via-se sempre ameaçada pela subversão do fantasma da preguiça. O labor era pregado como um remédio contra os apetites dos sentidos e como um amigo da alma. Daí, a necessidade de ‘docilizar’ os corpos para que esquecessem seu estilo de vida arraigado desde os antepassados e se transformassem em uma força de trabalho produtiva e disciplinada”, explica Maria Cecília Ugarte.

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Chaplin em ‘ Tempos Modernos’.

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The Human Motor mostra a ligação entre as novas ciências – fisiologia, educação física, ergonomia – objetivando a perscruta do corpo, num esquadrinhamento que vai embasar teorias até as chegadas do taylorismo e do fordismo, formas econômicas de divisão do trabalho. “Antes, achavam que o corpo era uma máquina capaz de trabalhar sem parar, bastando-lhe um pouco de comida e de descanso. Ignorava-se a segunda lei da entropia: que a energia se esgota a cada vez que se usa. A fadiga e a neurastenia tornaram-se uma verdadeira epidemia, principalmente na França e Alemanha, onde a resistência às inovações foi ainda maior”, conta Maria Cecília.

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A economista Maria Cecília Donaldson Ugarte.

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Esquadrinhamento – Ao final do século 19, portanto, já diminuía o discurso de que havia resistência ao trabalho por causa de indolência e preguiça. Higienistas, fisiatras, psicólogos, antropólogos do trabalho, médicos e políticos examinavam a tendência à preguiça, mas também passaram a reconhecer os danos do excesso de carga de trabalho, o que levou à defesa de reformas sociais com novas regulamentações e leis trabalhistas. “A idéia era de que a saúde da população precisava ser incentivada, mas visando aumentar a capacidade de resistência do corpo ao trabalho”, recorda a pesquisadora.

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Etienne-Jules Marey ralizou os primeiros estudos do movimento humano.

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Médico, fisiologista e pioneiro em pesquisas na aviação, fotografia e cinema, Etienne-Jules Marey foi, também, quem realizou os primeiros estudos sobre os movimentos do corpo, em 1868. Inventou instrumentos de medição e pesquisou inicialmente os animais, principalmente os movimentos do cavalo (ritmo, duração e intensidade), além dos mecanismos de vôo de pássaros e insetos. Mediu depois o andar humano, na passada e na corrida. Suas descobertas extasiaram os especialistas, pois balizavam as pesquisas para uma ciência do trabalho, e também os artistas, porque significavam uma representação artística do movimento. O próprio Marey produziu instantâneos do movimento, criando o que chamou de ‘photochronographer’ e depois o ‘chronophotographo’.

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Maria Cecília Ugarte observa que a educação física foi fundada nesse contexto, dentro da área médica, com novos aparatos para que os corpos adquirissem resistência física e mental na luta contra a fadiga e a neurastenia. Também apareceram os primeiros estudos de ergonomia. “A relação entre corpo e trabalho é bem mais estreita do que transparece superficialmente. O corpo é deslocado para deixar de pertencer a si mesmo e servir como uma máquina de produção”, resume a pesquisadora.’

.Na opinião de Maria Cecília Ugarte, a chamada Revolução da Informação ou do Conhecimento também atinge o corpo humano de maneira brutal. Neste mundo do trabalho altamente mecanizado e informatizado, ela cita o sociólogo Francisco de Oliveira, que observa um salto em direção ao trabalho abstrato. “Os salários passam a ser atrelados à produtividade e não mais às horas de trabalho, dando margem à terceirização informal. É um ‘salve-se quem puder’ que tira do trabalhador o poder de lutar por seus direitos. Já que ele precisa sobreviver, sujeita-se. A exploração das pessoas, da sociedade e do ambiente prevalece sobre o sentido de comunidade e solidariedade. A fadiga e a neurastenia descritas por Rabinbach desdobram-se neste início de século em várias denominações como depressão, estresse, anorexia, bulimia, obesidade e dependência química”, afirma a pesquisadora.

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Maria Cecília observa, ainda, que diante da relação tão íntima das pessoas com a tecnologia, o corpo já não é percebido como antes, parecendo desenraizado de si mesmo e esfumado em ambiente virtual. “Como disse a feminista Donna Haraway, em seu Cyborg Manifesto, ficou difícil saber onde nós acabamos e onde as máquinas começam. Para ela, ser cyborg não tem a ver com a implantação de bits de silício ou próteses sob nossa pele, mas com ir à academia de ginástica, a uma prateleira de alimentos energéticos e dar-se conta de estar em um lugar que não existiria sem a idéia do corpo como uma máquina de alta performance”, compara.

Na visão da pesquisadora, os atletas olímpicos são bons exemplos de que já “estamos cyborgs”. “Vencer a Olimpíada não depende simplesmente de correr mais rápido. Depende de toda uma interação entre medicina, dieta, práticas de treinamento, vestimentas especiais, fabricação de equipamentos, visualização e controle do tempo, e não raramente da utilização de drogas para melhorar a performance. Haraway também afirma que este é um mundo de redes entrelaçadas, humanas e maquínicas, que jogam conceitos como ‘natural’ e ‘artificial’ na lata do lixo”, avalia.

Depois de rever mais de 200 anos de história do corpo humano, Maria Cecília Ugarte julga que chegou a hora de parar para “pensar o corpo”, o quanto ele foi desprezado em nome da transcendência e manipulado em nome do capital. “Os efeitos da Revolução da Informação podem ser comparados aos do desenraizamento dos camponeses de suas terras no início da industrialização. Precisamos pensar onde ficaram as possibilidades de escolha, já que esta revolução é silenciosa para a população comum e excluída. Do homo-motor aos cyborgs, nesta corrida atrás do progresso e da multiplicação tecnológica, devemos refletir e perguntar onde ficam as pessoas”.’

[Fonte: Luiz Sugimoto / Jornal da Unicamp]



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